la bella donna líria porto
os olhos são noites o cheiro manhãs as tardes seu colo o sexo agoras os seios auroras e o tempo advoga a seu favor
Escrito por escritor(a) às 20h21
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Outro dia começa
carlos assis
botão liga
monitor pisca
teclado comunica
outro dia começa
Escrito por escritor(a) às 03h08
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AO URUBU
Maria José Limeira
Rescaldas minhas vísceras.
Revolves meu interior.
Sublevas minha tristeza.
Meu coração assiste
ainda
ao espetáculo
do teu revoluteio
negro
que se esbate
frente ao branco-azul
do infinito
onde forcejas.
Escrito por escritor(a) às 02h58
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AO CORVO
Maria José Limeira
Pousas ao longo
do meu texto triste
e dize-me a que vieram
as lágrimas que esvoaçam
sobre o tranco do papel:
São pérolas des-coloridas,
gotas de solidão,
ou palavras em andrajos
a-feridas?
Escrito por escritor(a) às 02h57
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EVA-DANINHA
Quando olhei para você
meu coração, pegou Fogo...
e como sei que você
é um cabra muito macho
trocará de imediato
o peito, por um bundão.
Quando olhei para você
torci as mãos trêmulas
- E, agora o que é que eu faço?
Como sair fora dessa?
Borboletas voarão do papel...
Vi nossos corpos sozinhos no quarto
jogando as toalhas chão
o óbvio dependurado
num dos braços do mancebo...
você vestido de Adão
e na língua...
A maçã da Eva:
- Você é tão romântico
(amassa mais...)
- E, você é tão sensível!!!
Não era a sessão coruja,
nos ponteiros do exorcismo dos devaneios
nestas horas,
tudo é tudo possível
...a sessão da tarde pipocava
Voltei na mesa
o tempo é curto e inesgotável...
bebi um gole de coca
com um ar, mais do que profano
torci a sobrancelha
calando nosso canto.
Beijo, beijado... no olhar.
Rosangela_Aliberti
São Paulo, 25.II.08
www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br
Escrito por escritor(a) às 11h42
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PORTÃO ELETRÔNICO Carlos Edu Bernardes
guardei a pen-drive no bolso sem a tampa e logo minha camisa ficou toda manchada de arquivos ponto doc
Escrito por escritor(a) às 11h25
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HOMENS MENINOS E DEMÔNIOS
ACORDO FEITO UM SACO DE RÁFIA
REPLETO DE ENTULHOS DA NOITE
RESTOS DE SONHOS INSATISFEITOS
A ESPERANÇA DESCONECTADA
PRECISO DE ALGUNS MOMENTOS
E DE UM POUCO DE RELAXAMENTO
NO CAMINHO DA COZINHA
ENQUANTO AS PAREDES ME SEGUEM
FEITO AS ÁRVORES NA FLORESTA
DA CHAPÉUZINHO VERMELHO
PERCEBO QUE SOU UMA SOMBRA
SE ARRASTANDO NOS LADRILHOS DO CHÃO
A INSPIRAÇÃO DO POETA
NEM SEMPRE CLARA
NEM SEMPRE PERCEPTÍVEL
NEM SEMPRE INTERESSANTE
ESCREVO NAS CORTINAS DO BOX
COM LINHAS DE ÁGUA DO CHUVEIRO
A COMUNICAÇÃO COM O DESCONHECIDO
NÃO PODE SER DEFINIDA
NÃO PODE SER RESUMIDA
A UMA CHAVE LIGA-DESLIGA
ESFREGO A TOALHA NAS COSTAS
ENCOSTO A CABEÇA NA PORTA
SOU UM HOMEM DESMEMORIADO
O PASSADO ALGO DISTANTE
BAÚ ESQUECIDO NO PORÃO
CARTAS AMARELADAS ASSOBIAM
CARTÕES POSTAIS SOLUÇAM
NO SÉTIMO ANDAR O MENINO OLHA A CIDADE
CARLOS ASSIS
Escrito por escritor(a) às 11h17
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Silêncio interrompido
O pássaro notívago
esvoaça
interrompendo
jogos
ilusão e lua
oferecem lençóis
ao deus entardecido
que farei de uma noite sem silêncios ?
Valeria Duque
9 - 3 - 2008
Escrito por escritor(a) às 11h15
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Todo dia é manhã
(Carlos Assis)
Você acorda no meio de uma tempestade
Olha de lado distraída
Alguém dorme encolhido
Longe do ódio do mundo
O rádio-relógio desperta
O locutor fala do trânsito
Você levanta e se espreguiça
Lava o rosto
Escova os dentes
Faz sua higiene matinal
E vai fazer café
A rotina manipula as atitudes
Você não sabe se canta ou se dança
Ontem no silêncio da noite
Ele se ajoelhou no meio das suas pernas
A tocou como um santo ou um demônio
O desejo de homem a fez flutuar no colchão
As pontes entre os universos se ligaram
Você por alguns minutos esqueceu de Deus
E não se arrepende de não pensar em nada
De agradecer a vida
O copo quente nas mãos
O pão com manteiga na mesa
A roupa limpa cheirosa
A saia passada
O brinco de prata
O colar no pescoço
O perfume de sempre
Todo dia é manhã
Escrito por escritor(a) às 02h14
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Assis & Limeira - Parceria
PERGUNTAS EM FORMA DE CHAVEIROS
Carlos Assis
O amor nos deixa as coxas quentes
Vibrantes ácidos escorrem no pensamento
As mãos tremem ao pensarem em você
Procuro refúgio no chuveiro morno
Passo o sabonete Phebo na pele
Fecho os olhos castanhos
Tento não sonhar com brocas de dentista
E nos filmes do Discovery Cannel
Mas algumas perguntas sempre atacam a mente
Por que os crocodilos não atacam os cavalos do nilo?
Onde ficam as minas do Rei Salomão ?
Seria Alain Quatermain um caçador sem alma?
Por que a astúcia de Dalila é mais forte que a força de Sansão?
E no entanto as respostas são tantas que a dúvida não cessa
Certo mesmo é que nem anjos nem demônios disputam jogo de xadrez
Os icebergs têm a água mais pura do mundo?
Saio do banheiro
As paredes estão recheadas de equações e teoremas quânticos
Vejo o espelho olhar minhas costas molhadas
Como um repórter procura no entrevistado uma espinha no rosto
Jogo-me na cama
Se fosse uma piscina
Talvez eu nunca mais acordasse
Viveria para sempre grudado nos ladrilhos
Escrito por escritor(a) às 00h10
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Assis & Limeira - Parceria - Cont.
RESPOSTAS DES-ANUVIADAS
Maria José Limeira
O amor deixa as coxas quentes
porque a árvore que nasce em chuveiros
de banheiros públicos é suja e fria
e coxas de homens são sensíveis,
embora fortes.
Ácidos vibrantes só escorrem
do pensamento
quando o pó que a gente cheira
não é Eucalol,
nem Palmolive,
e não tem nada a ver com Dove.
Quando você pensa em mim,
suas mãos tremem.
Quando eu penso em você.
é porque minhas mãos estão vazias.
Pode ser que o chuveiro
escorrendo morno
seja um bom abrigo.
Mas, o melhor mesmo seria
você tentar encontrar refúgio
no útero de sua mãe.
Beije o mosto!
Sabonete Phebo na pele
fecha as narinas,
provoca urticária,
dá um branco nos olhos
e produz dor-de-ouvido.
Tudo por causa do preço,
que é lá em cima.
O sabão-de-coco limpa mais,
é mais barato,
e não tem contra-indicações.
Mas, se você insiste
em querer Phebo na pele,
agite antes de usar.
Quando você me vê,
fecha seus olhos castanhos.
Quando eu olho para você,
arregalo minha boca azul.
Broca de dentista,
filmes em dvd,
e perguntas sem respostas
dão uma dor-de-cabeça daquelas,
devido ao mistério que invocam.
Escrito por escritor(a) às 00h05
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Assis & Limeira - Parceria - Cont.
Talvez,
se tentarmos responder
às perguntas,
o túnel abra uma saída
e acenda luz bruxuleante,
no tremor das trevas:
Crocodilos não atacam
nenhum animal
porque não são
cavalos de tróia.
Dalila dominou Sansão
não por causa da astúcia,
mas porque
toda paixão é perniciosa.
Anjos e demônios
não jogam xadrez
porque nunca se encontraram
com os mestres zen.
Se as águas dos icebergs
são as mais puras,
não sabemos.
Nunca estivemos lá.
Saia do banheiro.
Tente resolver equações e teoremas
debruçado sobre uma folha de papel
em branco,
como todos fazem.
Estudar matemática
nas paredes das casas de banhos,
piscinas e saunas
só contribui para que você receba
notas menores nas provas finais.
Escrito por escritor(a) às 00h02
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Assis & Limeira - Parceria - Final
Ao deixar o chuveiro,
após o banho,
veja se consegue se olhar nu,
de frente para o espelho.
Talvez assim descubra coisas
bem mais interessantes
a respeito de si mesmo.
Quando eu era repórter,
nunca procurei espinhas
no rosto do entrevistado.
Minha curiosidade maior era saber
como seria o desempenho dele
da cintura para baixo,
embora a pergunta não constasse
de minha pauta de trabalho.
Quem se joga na cama
dorme logo
e perde o melhor da festa.
É melhor deitar-se devagar,
sentindo a tepidez dos lençóis,
e a maciez dos travesseiros.
De preferência, à meia-luz,
e bem-acompanhado!
E para quem pensa
que cama é piscina,
onde a pessoa adormece
agarrada com os ladrilhos,
um conselho:
- Case-se! Você está precisando!
Escrito por escritor(a) às 00h00
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Nem todo sorriso é amargo
Quando o carteiro bate na porta
Não respondo
Quando a policia bate na porta
Saio pelos fundos
Quando o vento bate na porta
Fico em silêncio
Quando Deus bate na porta
Digo que não estou
Quando você bate na porta
Abro a janela e canto
carlos assis
...........
TODA LÁGRIMA AMARGA
Maria José Limeira
Bateram à minha porta
ao meio-dia.
Era o carteiro, mas não abri.
Estava chorosa com a perda
desse amor.
Bateram à minha porta
às duas horas da tarde.
Não abri.
Estava fazendo a sesta.
Bateram à minha porta
de madrugada.
Resolvi atender.
Pensava que fosse a lua.
Era a polícia.
Nisto se resume
a minha história
de ex-presa política.
Escrito por escritor(a) às 00h23
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NOCTURNO EM SETEMBRO
Hoje a lua nasce muito mais tarde Nesta tristeza que trago comigo Rompe farrapos do céu sem estrelas Prata que não tange os sinos da aldeia
Dormem os poetas da minha rua E os cães ladram sem saber porquê Enquanto mais além é o silêncio Que governa o tempo e o espaço
E eu observador intemporal Prisioneiro de minhas verdades Deitei-me logo a adivinhar
Se mais tarde quando o sol nascer A lua lhe vai dizer em segredo A solidão que passou esta noite
joaquim evónio 10 set 06
Seja bem-vindo ao meu site - Varanda das Estrelícias www.joaquimevonio.com
Escrito por escritor(a) às 00h20
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