Alameda Santo Antônio


EVA-DANINHA

 

Quando olhei para você

meu coração, pegou Fogo...

 

e como sei que você

é um cabra muito macho

trocará de imediato

o peito, por um bundão.

 

Quando olhei para você

torci as mãos trêmulas

- E, agora o que é que eu faço?

Como sair fora dessa?

 

Borboletas voarão do papel...

 

Vi nossos corpos sozinhos no quarto

jogando as toalhas chão

o óbvio dependurado

num dos braços do mancebo...

você vestido de Adão

e na língua...

A maçã da Eva:

 

- Você é tão romântico

(amassa mais...)

- E, você é tão sensível!!!

 

Não era a sessão coruja,

nos ponteiros do exorcismo dos devaneios

nestas horas,

tudo é tudo possível

...a sessão da tarde pipocava

 

Voltei na mesa

o tempo é curto e inesgotável...

bebi um gole de coca

com um ar, mais do que profano

torci a sobrancelha

calando nosso canto.

 

Beijo, beijado... no olhar.

 

 

Rosangela_Aliberti

São Paulo, 25.II.08

www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br



Escrito por escritor(a) às 11h42
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PORTÃO ELETRÔNICO
Carlos Edu Bernardes

guardei a pen-drive no bolso
sem a tampa
e logo
minha camisa ficou toda manchada
de arquivos ponto doc



Escrito por escritor(a) às 11h25
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HOMENS MENINOS E DEMÔNIOS

 

ACORDO FEITO UM SACO DE RÁFIA

REPLETO DE ENTULHOS DA NOITE

RESTOS DE SONHOS INSATISFEITOS

A ESPERANÇA DESCONECTADA

PRECISO DE ALGUNS MOMENTOS

E DE UM POUCO DE RELAXAMENTO

 

NO CAMINHO DA COZINHA

ENQUANTO AS PAREDES ME SEGUEM

FEITO AS ÁRVORES NA FLORESTA

DA CHAPÉUZINHO VERMELHO

PERCEBO QUE SOU UMA SOMBRA

SE ARRASTANDO NOS LADRILHOS DO CHÃO

 

A INSPIRAÇÃO DO POETA

NEM SEMPRE CLARA

NEM SEMPRE PERCEPTÍVEL

NEM SEMPRE INTERESSANTE

ESCREVO NAS CORTINAS DO BOX

COM LINHAS DE ÁGUA DO CHUVEIRO

 

A COMUNICAÇÃO COM O DESCONHECIDO

NÃO PODE SER DEFINIDA

NÃO PODE SER RESUMIDA

A UMA CHAVE LIGA-DESLIGA

ESFREGO A TOALHA NAS COSTAS

ENCOSTO A CABEÇA NA PORTA

 

SOU UM HOMEM DESMEMORIADO

O PASSADO ALGO DISTANTE

BAÚ ESQUECIDO NO PORÃO

CARTAS AMARELADAS ASSOBIAM

CARTÕES POSTAIS SOLUÇAM

NO SÉTIMO ANDAR O MENINO OLHA A CIDADE

 

CARLOS ASSIS



Escrito por escritor(a) às 11h17
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Silêncio interrompido

 

                         

O pássaro notívago

esvoaça

interrompendo

jogos

                         

ilusão e lua

oferecem  lençóis

ao deus entardecido

                         

que farei de uma noite sem silêncios ?

                         

Valeria Duque

9 - 3 - 2008



Escrito por escritor(a) às 11h15
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