Alameda Santo Antônio


Nem todo sorriso é amargo

 

Quando o carteiro bate na porta

Não respondo

Quando a policia bate na porta

Saio pelos fundos

Quando o vento bate na porta

Fico em silêncio

Quando Deus bate na porta

Digo que não estou

Quando você bate na porta

Abro a janela e canto

 

carlos assis

...........

 

TODA LÁGRIMA AMARGA

Maria José Limeira

 

Bateram à minha porta

ao meio-dia.

Era o carteiro, mas não abri.

Estava chorosa com a perda

desse amor.

Bateram à minha porta

às duas horas da tarde.

Não abri.

Estava fazendo a sesta.

Bateram à minha porta

de madrugada.

Resolvi atender.

Pensava que fosse a lua.

Era a polícia.

Nisto se resume

a minha história

de ex-presa política.

 

 



Escrito por escritor(a) às 00h23
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NOCTURNO EM SETEMBRO

Hoje a lua nasce muito mais tarde
Nesta tristeza que trago comigo
Rompe farrapos do céu sem estrelas
Prata que não tange os sinos da aldeia

Dormem os poetas da minha rua
E os cães ladram sem saber porquê
Enquanto mais além é o silêncio
Que governa o tempo e o espaço

E eu observador intemporal
Prisioneiro de minhas verdades
Deitei-me logo a adivinhar

Se mais tarde quando o sol nascer
A lua lhe vai dizer em segredo
A solidão que passou esta noite

joaquim evónio
10 set 06

Seja bem-vindo ao meu site - Varanda das Estrelícias
www.joaquimevonio.com



Escrito por escritor(a) às 00h20
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DESISTÊNCIA

Maria José Limeira

 

Dentro de mim,

há um soldado

doente e cansado,

que se recusa a enfrentar

outras batalhas.



Escrito por escritor(a) às 18h12
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Um blog interessante, onde os poetas esquecidos são relembrados:

Xavier Zarco
http://www.euxz.blogspot.com
...........

Saludos!
Maria José Limeira



Escrito por escritor(a) às 20h30
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REENCARNADOS

carlos assis

 

 

As cidades se parecem

Os carros se parecem

As pessoas se parecem

Os cheiros se parecem

 

As avenidas se parecem

Os aeroportos se parecem

As escadarias se parecem

As igrejas se parecem

 

Os passos são tão leves

Ecos que param no ar

A voz que canta

Dentro da cabeça

 

As toalhas se parecem

As camas se parecem

Os lençois brancos se parecem

Os sabonetes se parecem

 

As vidas se parecem

Os amores se parecem

As lágrimas se parecem

Os sorrisos se parecem

 

Os beijos escapam pela janela

Os abraços se escondem nos armários

As cores dos cabelos mudam

Os olhos ferem o silêncio

 



Escrito por escritor(a) às 19h02
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