Alameda Santo Antônio


envelheço

líria porto

 

caem-me as folhas as pétalas

às vezes fico triste outras rio

escorro para a foz

 

inverno



Escrito por escritor(a) às 15h46
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HOMENS MENINOS E DEMÔNIOS

 

ACORDO FEITO UM SACO DE RÁFIA

REPLETO DE ENTULHOS DA NOITE

RESTOS DE SONHOS INSATISFEITOS

A ESPERANÇA DESCONECTADA

PRECISO DE ALGUNS MOMENTOS

E DE UM POUCO DE RELAXAMENTO

 

NO CAMINHO DA COZINHA

ENQUANTO AS PAREDES ME SEGUEM

FEITO AS ÁRVORES NA FLORESTA

DA CHAPÉUZINHO VERMELHO

PERCEBO QUE SOU UMA SOMBRA

SE ARRASTANDO NOS LADRILHOS DO CHÃO

 

A INSPIRAÇÃO DO POETA

NEM SEMPRE CLARA

NEM SEMPRE PERCEPTÍVEL

NEM SEMPRE INTERESSANTE

ESCREVO NAS CORTINAS DO BOX

COM LINHAS DE ÁGUA DO CHUVEIRO

 

A COMUNICAÇÃO COM O DESCONHECIDO

NÃO PODE SER DEFINIDA

NÃO PODE SER RESUMIDA

A UMA CHAVE LIGA-DESLIGA

ESFREGO A TOALHA NAS COSTAS

ENCOSTO A CABEÇA NA PORTA

 

SOU UM HOMEM DESMEMORIADO

O PASSADO ALGO DISTANTE

BAÚ ESQUECIDO NO PORÃO

CARTAS AMARELADAS ASSOBIAM

CARTÕES POSTAIS SOLUÇAM

NO SÉTIMO ANDAR O MENINO OLHA A CIDADE

 

CARLOS ASSIS



Escrito por escritor(a) às 00h38
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Três perguntas

 

 Como passará a morte

por tantos engenhos

sem destruir a intenção

do vôo ou do caminho?

 

    Como passarão as estrelas

no vácuo do universo

ignorando a luz

que incorpora sentidos ?

 

    Como  passarão os sonhos

sobre o código incompreensível

que desarma sótãos

e transfigura abismos?

 

 

Valeria Duque

30 - 7 – 2008

...........

 

TRÊS RESPOSTAS

Maria José Limeira

 

A morte passará ao largo

de quem faz da Poesia vida,

de quem dorme de olhos abertos,

de quem troca instante fugaz

por eternidade.

 

As estrelas brilharão cada vez mais,

sacudindo a poeira do tempo.

Darão risadas ao redor da lua,

ainda que no meio dos mais tormentosos

temporais.

 

Os sonhos não fenecerão.

Serão guardados em baús aquecidos.

No momento certo, florirão

hasteados na palavra exata:

Liberdade.



Escrito por escritor(a) às 00h57
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Sanidade erótica

 

 Escreva-me

um só verso de amor

preciso

urgentemente de um verso

preciso

escreva-me

o que nunca ninguém...

sequer ousou

escrever

 

Escreva-me

sobre a imprevisibilidade amorosa

sem perversões cutâneas

escreva-me sobre o que foge

aos sentidos orgásticos

(o romantismo... não morreu)

 

Escreva-me

sobre o que interessa perceber

os arrepios - na hora H -

no desencalacre dos véus

nos vitrôs verticais abertos

morreremos juntos outra vez

nos perdendo

no horizonte

 

Escreva-me tudo

a respeito do que circula

fora dos livros

revistasse de anjo ao diabo

de cima para abaixo

jogue a camiseta na cama

dê amostras de seu artigo definido

retire as meias palavras

imprima na página marcada

o toque de teus dedos

faça aquele senhor strep...

para que eu fique easy

arranque as cordas da guitarra

 

Escreva-me

juro que após o término

beijarei tuas linhas

abrindo todas as pétalas

neste jardim de Allah.

 

Rosangela_Aliberti

São Paulo, 07.VII.08

www.rosangelaliberti.recantrodasletras.com



Escrito por escritor(a) às 14h34
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JUNINOS E JOANINOS

Anibal Beça

 

Arraial do neto

não pode faltar um item.

Bolo de macaxeira.

 

Ano sem aluá.

A receita foi embora

junto com a mãe

 

Salve o boi-bumbá!

De folguedo popular

à fela da TV.

 

Café regional.

Beiju e um bom tacacá

pra tirar ressaca.

 

Parintins.

Nem vermelho nem azul

torce-se pra festa

 

Dançando a quadrilha

o senhor sente a coluna.

Madrugada com geada.

 

Praia com cachorros

não se pode descuidar.

Bicho-de-pé.

.................

 

Arroz de membeca.

vêem-se as asas dos anus

acima do açude.

 

Um grito na praia

e o sangue por entre as coxas.

Liso candiru.

 

Lua de inverno.

como vem se vão os sonhos

em eco no escuro.

 

Passeio de barco

No céu azul as araras

voando aos pares.

 

Saída da lua

abençoada no céu.

Cruzeiro do sul.

 



Escrito por escritor(a) às 23h26
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la bella donna
líria porto

os olhos são noites
o cheiro manhãs
as tardes seu colo
o sexo agoras
os seios auroras
e o tempo advoga
a seu favor



Escrito por escritor(a) às 20h21
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Outro dia começa

carlos assis

 

botão liga

monitor pisca

teclado comunica

outro dia começa

 

 



Escrito por escritor(a) às 03h08
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AO URUBU

Maria José Limeira

 

Rescaldas minhas vísceras.

Revolves meu interior.

Sublevas minha tristeza.

 

Meu coração assiste

ainda

ao espetáculo

do teu revoluteio

negro

que se esbate

frente ao branco-azul

do infinito

onde forcejas.

 

 



Escrito por escritor(a) às 02h58
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AO CORVO

Maria José Limeira

 

Pousas ao longo

do meu texto triste

e dize-me a que vieram

as lágrimas que esvoaçam

sobre o tranco do papel:

 

São pérolas des-coloridas,

gotas de solidão,

ou palavras em andrajos

a-feridas?



Escrito por escritor(a) às 02h57
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EVA-DANINHA

 

Quando olhei para você

meu coração, pegou Fogo...

 

e como sei que você

é um cabra muito macho

trocará de imediato

o peito, por um bundão.

 

Quando olhei para você

torci as mãos trêmulas

- E, agora o que é que eu faço?

Como sair fora dessa?

 

Borboletas voarão do papel...

 

Vi nossos corpos sozinhos no quarto

jogando as toalhas chão

o óbvio dependurado

num dos braços do mancebo...

você vestido de Adão

e na língua...

A maçã da Eva:

 

- Você é tão romântico

(amassa mais...)

- E, você é tão sensível!!!

 

Não era a sessão coruja,

nos ponteiros do exorcismo dos devaneios

nestas horas,

tudo é tudo possível

...a sessão da tarde pipocava

 

Voltei na mesa

o tempo é curto e inesgotável...

bebi um gole de coca

com um ar, mais do que profano

torci a sobrancelha

calando nosso canto.

 

Beijo, beijado... no olhar.

 

 

Rosangela_Aliberti

São Paulo, 25.II.08

www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br



Escrito por escritor(a) às 11h42
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PORTÃO ELETRÔNICO
Carlos Edu Bernardes

guardei a pen-drive no bolso
sem a tampa
e logo
minha camisa ficou toda manchada
de arquivos ponto doc



Escrito por escritor(a) às 11h25
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Silêncio interrompido

 

                         

O pássaro notívago

esvoaça

interrompendo

jogos

                         

ilusão e lua

oferecem  lençóis

ao deus entardecido

                         

que farei de uma noite sem silêncios ?

                         

Valeria Duque

9 - 3 - 2008



Escrito por escritor(a) às 11h15
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Todo dia é manhã

(Carlos Assis)

 

Você acorda no meio de uma tempestade

Olha de lado distraída

Alguém dorme encolhido

Longe do ódio do mundo

O rádio-relógio desperta

O locutor fala do trânsito

 

Você levanta e se espreguiça

Lava o rosto

Escova os dentes

Faz sua higiene matinal

E vai fazer café

A rotina manipula as atitudes

 

Você não sabe se canta ou se dança

Ontem no silêncio da noite

Ele se ajoelhou no meio das suas pernas

A tocou como um santo ou um demônio

O desejo de homem a fez flutuar no colchão

As pontes entre os universos se ligaram

 

Você por alguns minutos esqueceu de Deus

E não se arrepende de não pensar em nada

De agradecer a vida

O copo quente nas mãos

O pão com manteiga na mesa

 

A roupa limpa cheirosa

A saia passada

O brinco de prata

O colar no pescoço

O perfume de sempre

Todo dia é manhã



Escrito por escritor(a) às 02h14
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Assis & Limeira - Parceria

PERGUNTAS EM FORMA DE CHAVEIROS

Carlos Assis

 

O amor nos deixa as coxas quentes

Vibrantes ácidos escorrem no pensamento

As mãos tremem ao pensarem em você

Procuro refúgio no chuveiro morno

Passo o sabonete Phebo na pele

Fecho os olhos castanhos

Tento não sonhar com brocas de dentista

E nos filmes do Discovery Cannel

Mas algumas perguntas sempre atacam a mente

Por que os crocodilos não atacam os cavalos do nilo?

Onde ficam as minas do Rei Salomão ?

Seria Alain Quatermain um caçador sem alma?

Por que a astúcia de Dalila é mais forte que a força de Sansão?

E no entanto as respostas são tantas que a dúvida não cessa

Certo mesmo é que nem anjos nem demônios disputam jogo de xadrez

Os icebergs têm a água mais pura do mundo?

Saio do banheiro

As paredes estão recheadas de equações e teoremas quânticos

Vejo o espelho olhar minhas costas molhadas

Como um repórter procura no entrevistado uma espinha no rosto

Jogo-me na cama

Se fosse uma piscina

Talvez eu nunca mais acordasse

Viveria para sempre grudado nos ladrilhos



Escrito por escritor(a) às 00h10
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Assis & Limeira - Parceria - Cont.

RESPOSTAS DES-ANUVIADAS

Maria José Limeira

 

O amor deixa as coxas quentes

porque a árvore que nasce em chuveiros 

de banheiros públicos é suja e fria

e coxas de homens são sensíveis,

embora fortes.

 

Ácidos vibrantes só escorrem

do pensamento

quando o pó que a gente cheira

não é Eucalol,

nem Palmolive,

e não tem nada a ver com Dove.

 

Quando você pensa em mim,

suas mãos tremem.

Quando eu penso em você.

é porque minhas mãos estão vazias.

 

Pode ser que o chuveiro

escorrendo morno

seja um bom abrigo.

Mas, o melhor mesmo seria

você tentar encontrar refúgio

no útero de sua mãe.

Beije o mosto!

 

Sabonete Phebo na pele

fecha as narinas,

provoca urticária,

dá um branco nos olhos

e produz dor-de-ouvido.

Tudo por causa do preço,

que é lá em cima.

O sabão-de-coco limpa mais,

é mais barato,

e não tem contra-indicações.

Mas, se você insiste

em querer Phebo na pele,

agite antes de usar.

 

Quando você me vê,

fecha seus olhos castanhos.

Quando eu olho para você,

arregalo minha boca azul.

 

Broca de dentista,

filmes em dvd,

e perguntas sem respostas

dão uma dor-de-cabeça daquelas,

devido ao mistério que invocam.



Escrito por escritor(a) às 00h05
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